Pra unir duas vontades: a de não deixar o blog parado e a de compartilhar esse texto que achei aqui, bem velho, vou publicá-lo hoje. Já devo ter postado esse antes, mas não importa. [PS. Não, não postei. Acabei de reler os arquivos do blog e percebi que não tem esse.] Quem não gosta de poesia e frescuras desse tipo pode parar de ler aqui mesmo. Quem gosta, go on.
Escrevi isso há anos. Ainda hoje esse texto anda cheio dos significados que ele tinha pra mim quando foi escrito, e é por isso que eu gosto tanto dele. Apear disso, faz MUITO tempo que eu já não escrevo nada próximo disso. O título original é Sonho Magnífico, mas eu nem gosto tanto desse nome.
‘Ah, folha branca, eu queria ver em ti uma bela poesia, escrita à maneira dos poetas antigos e que hoje não se sabe mais escrever. Queria que você fizesse parte de um pesado livro, com uma história que se houvesse tornado eterna por sua própria magnitude e que meu nome estivesse escrito nela. queria ver nos céus a mesma lua bonita que vi há tempos, nas terras onde morei e cujo caminho não consigo me recordar. Queria ser dono de uma larga e intensa felicidade azul em meus olho. Queria ser um pouco masi completo, ter um pouco menos de medo. Ser bem mais… ser tão menos…
Ah, folha branca, eu queria fazer de ti minha grande realização, a fase final de meu maior sonho. Diga=me que sonho é este e onde ele dorme. Queria ter um grande sorvete, com o sabor das frutas da Terra do Verão, onde estarei depois de passar tanto tempo aqui. Queria ter um par de asas brancas e imaculadas como o que dei aos meus filhos. Queria ser um cavalo castanho, livre e despreocupado, com o cheiro da relva ao meu redor e a umidade recente de um rio em minhas costas. Queria ter de novo as luzes de um semideus e a perfeição de uma ave colorida. E sinto saudades do meu chapéu vermelho.
Mas, graças a você, Folha Branca, ainda sou poeta. E isso é muito mais do que eu jamais pude desejar.’
[por Pedro Nogueira, original em algum lugar de 2005 ou 2007, talvez]







